A andropausa ou pausa dos hormônios
androgênicos, ou ainda diminuição dos níveis
de testosterona nos homens, pode ocorrer nas mais diversas
idades, muitas vezes não tendo correlação apenas com o
envelhecimento.
Nas mulheres, os hormônios ovarianos caem
abruptamente o que proporciona os famosos fogachos ou ”calores da menopausa”,
fazendo com que elas procurem o tratamento hormonal.
Em contrapartida, nos homens a queda
da testosterona é gradual e crônica, fazendo com que muitos
homens não a percebam.
Outro problema é o preconceito masculino de admitir
que estejam com este tipo de problema.
Estas situações fazem com que a grande maioria dos
homens em andropausa não recebam tratamento
adequado.
A queda da testosterona deveria ser tão preocupante
para médicos e pacientes quanto hipertensão e colesterol alto, pois o coração
tem milhões de receptores para este hormônio.
Clique e veja os efeitos cardiovasculares da
testosterona:
Nos EUA apenas 7% dos homens com queda de testosterona
estão em tratamento.
A queda da testostosterona pode
começar a ocorrer aos 30 anos de idade. Porém, vemos homens mais novos com
níveis baixos deste hormônio, principalmente quando associado à obesidade,
estresse, contaminação ambiental por xenostrógenos e uso prévio de
anabolizantes.
Um pouco de
fisiologia:
A hipófise, uma glândula cerebral, libera dois
hormônios que se chamam LH e FSH.
Ambos, a partir da puberdade, vão até os
testículos e estimulam a liberação de testosterona e
espermatozóides.
O ápice da testosterona ocorre em
geral aos 25 – 30 anos, idade em que seus níveis podem começar
declinar.
Formação dos hormônios esteróides – formados a partir do
colesterol
Veja a principal matéria prima para a formação de
testosterona e dos outros hormônios esteróides: o colesterol.
Assim, níveis
de colesterol total abaixo de 140mg/de comprometem toda a sua produção de
hormônios esteróides.
O que muita gente não sabe é que níveis baixos de
colesterol são tão ruins ou pior que níveis altos.
Causas da sua queda:
- Queda natural que ocorre ao longo da vida em
função da menor sensibilidade dos testículos aos pulsos LH e FSH
- Falha testicular primária
- Uso de anabolizantes
- Contaminação por xenoestrógenos ambientais
ex. bis fenol em embalagens plásticas
- Estresse
- Medicamentos
- Obesidade
A importante enzima aromatase - a conversão de TESTOSTERONA
em ESTROGÊNIO
As células de gordura produzem uma enzima
chamada aromatase.
Esta enzima transforma testosterona em
estradiol e estrona (hormônios primariamente femininos).
O envelhecimento e a obesidade, potencializam a ação da
aromatase diminuindo os níveis de testosterona e aumentando os níveis de
estradiol e estrona
O estradiol e a estrona em altos níveis causam
impotência, baixa libido, irritabilidade, cansaço, aumento de mamas
(ginecomastia) e até câncer de próstata.
A boa notícia é que é totalmente possível bloquear
aromatase bloqueando a conversão de testosterona em estradiol
e estrona.
A má notícia é que a maioria dos homens que fazem
reposição de testosterona não tem seus níveis de estradiol dosados.
Níveis
altos de estradiol são tão ruins quantos níveis baixos de
testosterona.
O estradiol bloqueia a testosterona, caso ele esteja
alto. Os receptores são muito parecidos.
Os famosos “bombados” de academia já sabem disso há
muito tempo e fazem uso de medicações que bloqueiam completamente a
aromatase para evitar o aumento das mamas ( ginecomastia).
Porém não sabem que a aromatase deve ser bloqueada de
forma parcial, já que níveis adequados de estradiol (nem altos e nem baixos)
no homem também são muito importantes.
É este hormônio que sensibiliza os
receptores da testosterona no cérebro e além disso são responsáveis pela
formação de massa óssea.
Sinais e sintomas típicos
encontrados em idosos com queda testosterona e aumento de estradiol
:
- Ombros encurvados e atrofiados
- Perda de massa muscular
- Dificuldade para caminhar e fazer as
atividades diárias
- Irritado e lábil emocionalmente
- Déficit cognitivo: piora da memória e do
raciocínio
- Voz fina
- Gordura abdominal aumentada
- Auto-estima baixa
- Impotência
O câncer de próstata e a
testosterona
O único motivo que levou os médicos a pensarem que
a testosterona causasse câncer foi que um dos tratamentos
para este câncer consiste em bloquear este hormônio. O câncer em atividade se
alimenta de testosterona, mas em pessoas sem câncer ela protege.
A maior incidência deste câncer ocorre em homens na
terceira idade que já possuem baixos níveis de testosterona e altos níveis de
estradiol. É o desbalanço entre este dois hormônios associado a outros fatores
que leva ao câncer
Leia este artigo publicado num importante jornal de
endocrinologia e comprove:
Quadro clínico da
andropausa:
-
Baixos níveis de energia
- Apatia
- Irritabilidade
- Diminuição do tônus muscular
- Aumento de peso
- Aumento de mamas
- Homens que duvidam de tudo e sem
perspectivas
- Baixo desejo sexual
- Impotência
- Falta de pelos
- Não apaixonados
- Medo
Enganam - se homens que pensam que só porque
estão com o desejo sexual normaL, não estão na andropausa. Antes de a
libido cair todos os sintomas citados aparecem primeiro, e quando a
impotência se instala demora – se mais para revertê-la apenas com
testosterona.
Quadro laboratorial da
andropausa
- Queda da testosterona total
- Aumento do estradiol (hormônio feminino que
bloqueia os receptores da testosterona)
- Aumento da Globulina Transportadora de
Hormônios Sexuais ou SHBG. Esta globulina em níveis elevados diminui a
testosterona livre e a testosterona biodisponível
- Aumento de FSH e LH
- Apenas um dos itens ocorrendo, associado
ao quadro clínico citado acima se indica a reposição de testosterona
biodêntica transdérmica
Como é o
tratamento?
Reposição, hormonal com testosterona bioidêntica
(creme ou gel de alta absorção) com dose individualizada.
Bloqueio parcial
da aromatase para controle dos níveis de estradiol.
Lógicamente que o tratamento é temporário se a causa
não for ligada ao envelhecimento. Como dito acima, situações estressantes
agudas ou crônicas podem diminuir a testosterona temporariamente, por exemplo. E
em casos assim o tratamento é também é temporário.
Como é o
acompanhamento?
No primeiro ano os níveis hormonais
devem ser dosados a cada três meses e no segundo ano a cada 6 meses.
Os
níveis de PSA devem ser monitorados regularmente, assim como os níveis de LH,
hematócrito,função renal e hepática,perfil lipídico e marcadores de inflamação
como PCR – US e fibrinogênio.
O acompanhamento urológico em homens com mais de 40
anos deve ser mantido.